O nome chikungunya é derivado de uma palavra em Makonde, língua falada por um grupo que vive no continente da África, mais precisamente localizado entre as regiões do sudeste da Tanzânia e do norte de Moçambique. A palavra em si, em tradução livre, significa “aqueles que se dobram”, descrevendo de modo fiel a aparência encurvada de pessoas que sofrem com as dores nas articulações, características desta condição.
Você sabia? No Brasil a transmissão autóctone, que diz respeito a contrair a doença em solo nacional, foi confirmada apenas no segundo semestre do ano de 2014, primeiramente nos estados do Amapá e da Bahia. 

O que é 

Esta doença é causada pelo vírus chikungunya (CHIKV). Este, por sua vez, persiste por até dez dias após o surgimento das primeiras manifestações da complicação. A transmissão ocorre através da picada de fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que estão infectadas pelo CHIKV. 
Além da transmissão realizada pelos mosquitos, ainda existe a possibilidade de ocorrer a transmissão durante, e quase que exclusivamente no período de parto de gestantes que estão infectadas pelo vírus da doença, provocando muitas vezes uma infecção grave do recém-nascido. Outra possível via de transmissão do vírus pode ocorrer durante transfusões de sangue. No entanto, esta é mais improvável e ocorre muito raramente.

Sinais e sintomas

Transmissão e infecção do vírus

A maioria das pessoas infectadas pelo CHIKV desenvolve diversos sintomas, sendo possível notar que, em determinados estudos é evidenciado que até 70% dos afetados apresentam uma infecção sintomática. É interessante citar que este é um número alto e muito significativo se comparado às demais doenças causadas por insetos (como a dengue e a febre amarela). 
O período de incubação intrínseco, que ocorre no ser humano, acontece em média de 3 a 7 dias (podendo variar entre 1 e 12 dias). O extrínseco, que ocorre no vetor (no mosquito), dura em média 10 dias. O período de vida do vírus no ser humano pode durar por até 10 dias e, geralmente, inicia-se dois dias antes do desenvolvimento dos sintomas, que podem durar por mais oito dias.
A doença chikungunya pode evoluir em três fases: 

  1. Aguda; 
  2. Subaguda; 
  3. Crônica. 

Após o período de incubação inicia-se a fase aguda ou febril, que dura até o décimo quarto dia. Alguns pacientes sentem a progressão das dores articulares após a fase aguda, caracterizando o início da fase subaguda, que podem ter uma duração de até 3 meses. 
Quando a duração dos sintomas persiste além dos 3 meses, atinge-se a fase crônica. Nestas fases, algumas manifestações clínicas podem variar de acordo com o gênero e a idade. Exantema, vômitos, sangramento e úlceras orais parecem estar mais associados ao sexo feminino. Dores articulares, edemas e uma maior duração da febre são mais prevalentes quanto maior a idade do paciente.

Fase aguda ou febril 

A fase aguda ou febril da chikungunya, em seu início, é caracterizada pelo surgimento da febre, que manifesta-se sobretudo muito rapidamente em um período de curta duração. 
Durante essa fase, a febre pode ocorrer de modo: 

  • Contínuo; 
  • Intermitente, em intervalos; 
  • Bifásico, durante os períodos de infecção e intoxicação do vírus. 

É importante destacar que a queda da temperatura que configura o estado febril não é associada à piora dos sintomas, como ocorre com a dengue ou a febre amarela.
Junto da febre, outros sintomas geralmente são sentidos dentro de um período de em média 7 dias. Sendo estes:  

  • Dor nas costas; 
  • Rash cutâneo (presente em mais metade dos casos);
  • Cefaleia;  
  • Fadiga. 

Dor em diversas articulações do corpo 

Nesta condição, é possível notar a poliartralgia, que é denominada por ser uma dor que atinge diversas articulações, e tal sintoma, foi sentido por mais de 90% dos pacientes com chikungunya na fase aguda. 
Essa dor é caracterizada por atingir em média mais de 4 articulações, afetando ambos lados do corpo (esquerdo e direito) de maneira simétrica. Contudo, pode haver assimetria dependendo do caso. 
Geralmente, a poliartralgia afeta grandes e pequenas articulações. A dor tem maior frequência de desenvolvimento nas regiões mais afastadas do tronco, como é o caso das mãos, pés, dedos e joelhos. 

Inflamações 

Outro sintoma que pode ocorrer nesta fase é o edema, um inchaço causado pela retenção de líquidos. Este, quando se desenvolve, normalmente está associado à inflamação e a dificuldade na movimentação das mãos, pés e pulsos. 
Devido a ocorrência do edema e de outras inflamações (como a tenossinovite), é muito provável que seja sentida uma dor nos ligamentos. Quando essa dor se faz presente é, em geral, determinada por ser de intensidade leve a moderada.

Reações na pele

O exantema é determinado por ser uma erupção da pele, de coloração avermelhada, e que atinge cerca de metade dos infectados com o vírus CHIKV. Este sintoma normalmente surge entre o segundo e o quinto dia após o início da febre, podendo ser bastante doloroso. 
Essas bolinhas avermelhadas atingem principalmente o tronco e as extremidades do corpo (incluindo a palma das mãos e a planta dos pés), além de poder também se desenvolver em certas partes do rosto. A coceira que é associada ao exantema está presente em 25% dos pacientes, havendo possibilidade de ocorrer no corpo inteiro ou na região da palma das mãos.
Outras manifestações na pele, que também foram relatadas nesta fase, podem incluir: 

  • Dermatite esfoliativa;
  • Lesões vesículo-bolhosas; 
  • Hiperpigmentação; 
  • Fotossensibilidade; 
  • Lesões simulando eritema nodoso;
  • Úlceras orais.

Outros sintomas

Outros sinais e sintomas que podem ser sentidos na fase aguda de chikungunya incluem: 

  • Dor retro-ocular;
  • Calafrios;
  • Conjuntivite sem secreção;
  • Faringite;
  • Náusea;
  • Vômitos
  • Diarreia;
  • Dor abdominal;
  • Neurite. 

É importante destacar ainda que as manifestações do trato gastrointestinal são mais presentes em crianças (mas também podem ocorrer em adultos).

Mães infectadas com chikungunya e bebês recém-nascidos

Para os bebês recém-nascidos de mães infectadas, é necessário um grande cuidado! O risco de transmissão vertical (da mãe para o bebê) ocorrer durante o parto é de aproximadamente 50%. 
Os recém-nascidos não apresentam sintomas nos primeiros dias, mas, a partir do quarto dia de infecção, podem ser observados sintomas e sinais, como: 

  • Febre; 
  • Síndrome álgica; 
  • Recusa da mamada; 
  • Exantemas; 
  • Descamação; 
  • Hiperpigmentação cutânea; 
  • Edema de extremidades.

As formas mais graves da doença são frequentes para essa faixa etária, pois existe a possibilidade do vírus contribuir com o desenvolvimento de complicações neurológicas, hemorrágicas e cardíacas.
Os quadros neurológicos são reconhecidos como um sinal de gravidade alta para os recém nascidos, e podem favorecer o surgimento de complicações como: 

  • Meningoencefalites; 
  • Edema cerebral; 
  • Hemorragia intracraniana; 
  • Convulsões; 
  • Encefalopatias.

Fase subaguda

Durante a fase subaguda, a febre normalmente desaparece. Com isso, é iniciado um processo de persistência e/ou agravamento da dor nas articulações, que aumenta de modo gradativo nas regiões previamente afetadas na primeira fase da chikungunya
A síndrome do túnel do carpo pode ocorrer como consequência da tenossinovite, sendo frequente na fase subaguda e na fase crônica, principalmente. Além disso, o comprometimento articular geralmente é associado ao desenvolvimento de edemas de intensidade variável.
Podem estar presentes também nesta fase, sintomas como: 

  • Astenia; 
  • Recorrência do prurido (coceira) generalizado e exantema;
  • Surgimento de lesões purpúricas, vesiculares e bolhosas. 

É interessante notar que parte das pessoas infectadas com o vírus CHIKV na fase aguda podem ainda desenvolver outras complicações, como:

  • Doença vascular periférica; 
  • Fadiga; 
  • Sintomas depressivos. 

ATENÇÃO: Se os sintomas acima persistirem por mais de três meses após o início da doença, estará iniciada a fase crônica.

Fase crônica 

O sintoma mais comum na fase crônica é a dor articular, persistente nas mesmas áreas atingidas durante a fase aguda. Junto deste sintoma, pode ser observada uma dor devido também ao surgimento de edemas da fase anterior, que causam a limitação de movimento, deformidades e pequenas bolhas (que podem ser ou não avermelhadas). 
Além disso, a dor sentida nas costas durante esse estágio de infecção do vírus pode irradiar pela região sacroilíaca, lombossacral e cervical.
Somado a isso, outro sinal, que é visto frequentemente nos doentes com chikungunya, é causado devido a lesão no sistema nervoso, conhecido sob o nome de dor neuropática. Esse tipo de lesão pode fazer com que o doente sinta: 

  • Queimação; 
  • Sensação de estar sendo espetado;
  • Choques;
  • Hipersensibilidade ao toque; 
  • Formigamento. 

Ocasionalmente, algumas articulações incomuns podem também ser afetadas pelo CHIKV, caso das mandíbulas e ombros. Em frequência razoável são vistas manifestações decorrentes da síndrome do túnel do carpo, tais como dormência e formigamento características. 

Outros sintomas

Outras manifestações descritas durante a fase crônica são: fadiga, cefaleia, prurido, alopecia, exantema, bursite, tenossinovite, disestesias, parestesias, dor neuropática, fenômeno de Raynaud, alterações cerebelares, distúrbios do sono, alterações da memória, déficit de atenção, alterações do humor, turvação visual e depressão.
Fatores de risco para a cronificação
Os principais fatores de risco para a cronificação são: 

  • Idade acima de 45 anos, 
  • Ser do gênero feminino, 
  • Desordem articular preexistente; 
  • Perceber maior intensidade das lesões articulares durante a fase aguda. 

Perspectiva

Levando em consideração todas as informações sobre o que é o chikungunya, e quais são os seus principais sintomas, devemos ficar cada vez atentos sobre os sinais que nosso corpo nos fornece. 
Caso haja suspeita de contágio é indispensável ir ao hospital para um diagnóstico assertivo. Principalmente para pessoas enquadradas em grupos de risco, caso de bebês, crianças e idosos.