Você provavelmente já ouviu falar muito sobre a dengue, principalmente no verão. Ela é uma doença muito comum nesse período por conta da facilidade de transmissão nessa época, porém se engana quem pensa que não se pega a doença em outras estações do ano.
A dengue é uma doença cujo os sintomas se assemelham muito à uma gripe. Existem quatro tipos de vírus da enfermidade (sorotipos 1, 2, 3 e 4). Cada pessoa pode ter os 4 sorotipos da doença, porém, a infecção por um sorotipo gera imunidade permanente para ele.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectam anualmente com a doença em mais de 100 países de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da enfermidade.

O que é a dengue?

É uma doença infecciosa febril aguda, que pode se apresentar de forma benigna ou grave. Isso vai depender de diversos fatores, entre eles: o vírus e a cepa envolvidos; infecção anterior pelo vírus; e fatores individuais como doenças crônicas (diabetes, asma brônquica, anemia falciforme).
É uma doença potencialmente grave, porque pode evoluir para o tipo hemorrágico, caracterizada pelo sangramento e queda de pressão arterial, elevando o risco da doença.

Quais são os tipos de dengue?

Dengue Clássica

É a forma mais leve da doença, sendo muitas vezes confundida com a gripe. Tem início súbito e os sintomas podem durar de cinco a sete dias, apresentando sinais como febre alta (39° a 40°C), dor de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, entre outros.

Dengue Hemorrágica

A hemorrágica acontece quando a pessoa já infectada sofre alterações na coagulação sanguínea. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte. No geral, é mais comum quando a pessoa está sendo infectada pela segunda ou terceira vez.
Os sintomas iniciais são parecidos com os da clássica, e somente após o terceiro ou quarto dia surgem hemorragias causadas pelo sangramento de pequenos vasos da pele e outros órgãos. Na tipo hemorrágica, ocorre uma queda na pressão arterial do paciente, podendo gerar tontura e quedas.

Síndrome do choque da dengue

É a complicação mais séria da doença, se caracterizando por uma grande queda ou ausência de pressão arterial, acompanhado de inquietação, palidez e perda de consciência.
Uma pessoa que sofreu choque por conta da doença pode sofrer várias complicações neurológicas e cardiorrespiratórias, além de insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural. Além disso, se não tratada pode levar a óbito.

Como transmite?

A doença é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Após picar uma pessoa infectada com um dos quatro sorotipos do vírus, a fêmea pode transmitir o vírus para outras pessoas. Ao contrário do que muitos pensam, a doença não é transmissível de pessoa a pessoa!
Em populações mais vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, o vírus ?pode interagir com doenças pré-existentes e levar ao quadro grave (ou gerar maiores complicações nas condições clínicas de saúde da pessoa).
Por isso, é importante combater a reprodução do mosquito transmissor, fazendo limpeza adequada e não deixando água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas, ou outros recipientes que possam servir de reprodução do mosquito Aedes Aegypti.

Como prevenir?

A melhor forma de se evitar a doença é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos, lixeiras, entre outros.
Outra forma de prevenir a picada é com o uso de repelentes, de roupas compridas e com mangas longas ou vestes de cor branca.

  • Dicas de prevenção para viajantes: 

É uma doença cujo período de maior transmissão coincide com o verão. Isto devido aos fatores climáticos favoráveis a proliferação de seu vetor, o Aedes aegypti. Para quem vai viajar e deixar a casa fechada, é importante não deixar nenhuma oportunidade para o vetor proliferar, por exemplo, removendo água dos vasos de planta, deixando a caixa d’água tampada, retirando a água de grandes reservatórios, como as piscinas, e removendo do ambiente todo material que possa acumular água (garrafas pet, latas, pneus).
Em caso de viagens para áreas de risco, é importante hospedar-se em locais que disponham de ar condicionado ou telas de proteção nas portas e janelas, além de mosquiteiros. Recomenda-se, também, a adoção de medidas de proteção individual para reduzir o risco de infecção, tais como: o uso de calças compridas, meias, sapatos fechados e repelentes. 

Como saber se você está com dengue?

  • Está com febre alta?
  • Sente dores musculares intensas?
  • Sente dor ao movimentar os olhos?
  • Sente mal estar?
  • Está com falta de apetite?
  • Sente dores de cabeça intensas?
  • Está com manchas vermelhas pelo corpo?

Se a maioria das respostas foi sim, pode ser que você esteja com a doença.
No entanto, fique atento caso ocorra o aparecimento de:

  • Sangramentos (nariz, gengivas);
  • Dor abdominal intensa e contínua;
  • Vômitos persistentes;
  • Rompimento dos vasos superficiais da pele (petéquias e hematomas).

Estes sintomas podem indicar um sinal de alarme para dengue hemorrágica! Esse é um quadro grave que necessita de imediata atenção médica, pois pode ser fatal caso não tratada.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da doença é clínico e feito por um médico. É confirmado com exames laboratoriais de sorologia, de biologia molecular e de isolamento viral, ou confirmado com teste rápido (usado para triagem).

Quanto tempo dura?

Na maioria dos casos, os sintomas duram até dez dias. Mas a fraqueza e mal-estar podem permanecer por algumas semanas.

Como tratar?

Na maioria dos casos, têm cura espontânea depois de 10 dias, mas, infelizmente, não existe tratamento específico para a enfermidade. Porém, não se preocupe! Basta seguir algumas orientações para aliviar os sintomas e tornar a recuperação mais rápida e efetiva:

  • Fazer repouso;
  • Ingerir bastante líquido (água);
  • Não tomar medicamentos por conta própria;

Existe alguma vacina?

Atualmente há uma única vacina disponível no mundo chamada Dengvaxia. Indicada para prevenir a dengue causada pelos quatro vírus da dengue (1, 2, 3 e 4), a vacina foi liberado para uso no Brasil pela Anvisa em 2015, para pessoas de nove a 45 anos, residentes em áreas endêmicas. Ela não está disponível na rede pública (SUS), sendo apenas vendida em clínicas particulares e cada pessoa deve receber três doses, com intervalo de seis meses entre elas.

Dicas:

  • Aposte nos repelentes! Eles repelem os mosquitos e evitam a picada (porém apenas de forma temporária, reaplique sempre que necessário);
  • Use telas de proteção nas suas janelas!
  • Elimine os focos de água parada: Assim, você evita os focos de reprodução do mosquito e diminui as chances de contrair a doença!
  • Use roupas claras! Roupas escuras podem atrair os mosquitos.
  • Caso você esteja com a doença, não esqueça de tomar muita água e repousar!